Escola Secundária Sebastião e Silva, Oeiras

Morreu, durante as férias...

palmeiradoente 0Foi imponente, durante décadas, a dominar o espaço à frente e entre as arcadas do Liceu. Deu abrigo, entre as suas palmas, a gerações e gerações de pombos. Teve uma horta em seu redor e, até, encostado a si, um lago para patos. Testemunhou os primeiros anos da vida do Liceu e assistiu a duas explosões escolares. Privou com os "pré-fabricados"... Sentiu o calor do fogo que destruiu um e viu o desmantelamento de todos, já muito degradados. A Parque Escolar reconheceu-lhe a importância e respeitou o seu espaço: interrompeu em seu redor a pavimentação do solo e colocou bancos de madeira à volta do seu tronco, convidando os alunos a aproveitar da bondade da sua existência e da sua sombra.

Nas férias do verão, morreu. Cumpriu o seu ciclo de ser vivo. Sucumbiu ao poder destruidor de um pequeno besouro, ser vivo também, cientificamente dado pelo nome de rhynchophorus ferrugineus, mas popularmente chamado de bicudo, escaravelho da palmeira ou, ainda, escaravelho vermelho.

A morte da palmeira emblemática da Escola de S. Julião da Barra, primeiro, e a da Sebastião e Silva, agora, fez-nos tomar conhecimento da forma como os escaravelhos vermelhos se reproduzem e estão a matar, nos seus ciclos de vida, as palmeiras. Vamos partilhar o que sabemos.

O escaravelho vermelho, que só sobrevive e se alimenta de algumas espécies de palmeiras, é oriundo da Ásia e tem vindo a espalhar-se pelo mundo. Encontra-se há muitos anos já na América do Sul e em África, onde tem predadores naturais que o controlam e impedem de levar até à morte as palmeiras. Mais recentemente, entrou na Europa, onde não tem predadores naturais, nem venenos que o matem.

É dado como certo que a entrada do escaravelho vermelho na Europa se deu em Silves, no Algarve, em 2007, através de palmeiras adultas infetadas que foram importadas do Egito.

Cada fêmea põe cerca de 300 ovos e deposita-os profundamente nas zonas de crescimento da coroa das palmeiras. Os ovos são invisíveis até incubarem e se desenvolverem numa larva branca que se alimenta das fibras, escavando túneis pelos tecidos internos da ávore, o que leva as folhas, primeiro, e a coroa, depois, a cair mortas e com um cheiro nauseabundo.

Quando a larva sai, transforma-se em besouro, que pode atingir os 5 centímetros de comprimento, reiniciando-se o ciclo reprodutivo na mesma ou em outras palmeiras.

O combate à doença tem-se revelado ineficaz até ao momento. Estão a ser testados produtos químicos e até fungos naturais autóctones e há várias universidades portuguesas a desenvolver estudos sobre o assunto. Em Valença, tem sido observada a presença frequente de falcões peneireiros nas palmeiras infetadas e julga-se que esta ave pode ser um predador natural do escaravelho, na Europa.

Curiosidade: descobrimos no Youtube que a larva do escaravelho vermelho é consumida e apreciada pelos humanos na Indonésia e na América Latina.

Abaixo, uma fotografia da palmeira da ESSS que morreu e outras colhidas aquando do abate das palmeiras infetadas na Escola Básica de S. Julião da Barra:

 palmeiradoente 1

 ramo infetado

 larvas

larvaseadulto

escaravelhoadulto

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